09.07.2020

Miley Cyrus é uma artista feroz, corajosa e, como sempre consideraram, uma mulher “fora da caixa“. A cantora sempre usou sua arte e plataformas na internet para passar mensagens importantes sobre questões da nossa sociedade e, com apenas 27 anos de idade, já apoiou diversas manifestações e projetos que são oposição a qualquer causa que prejudicasse sua liberdade e a dos demais — um exemplo claro é quando Miley se juntou à mulheres dos Estados Unidos e discursou na manifestação “Women’s March” em 2017.

Um ano atrás, exatamente 2 de julho de 2019, nasceu o videoclipe do mais novo single de Cyrus na época, “Mother’s Daughter“, dirigido pelo cineasta francês Alexandre Moors, onde é abordado uma crítica sobre pautas feministas. Por que devemos dar atenção a isso?

Veja o que o videoclipe tem a nos dizer:

  1. Corpo feminino é livre

Diversas frases aparecem ao longo do vídeo em formato de flashcard, a tradução de algumas delas são: “Não sou um objeto“, “O pecado está em seus olhos“, “Toda mulher é uma revolta“, “A virgindade é uma construção social“, “Feminista pra caralh*“. Há várias questões a serem debatidas através destas frases, mas a mensagem principal que Miley quis passar é exatamente sobre a luta contra o controle e a objetificação dos corpos das mulheres.

Enquanto os políticos nos estados dos EUA trabalham para aprovar leis estritas sobre o aborto, as mulheres continuam lutando pela liberdade de fazer suas próprias escolhas.

Esses slogans são uma homenagem a grupos ativistas como Guerrilla Girls e Femen, que usaram ideologias semelhantes para suas vozes serem ouvidas. Esses grupos frequentemente debatem sobre tópicos como estupro, empoderamento feminino e sexualidade — Cyrus começou a fazer seu próprio movimento usando música.

A esquerda imagens dos grupos Guerrilla Girls e Femen e a direita uma cena do vídeo de Mother’s Daughter

2. Quebrando tabus

Cyrus e Moors tentam quebrar o silêncio que ainda está inserido no cotidiano das mulheres mostrando-as de forma simples, mas eficaz, como imagens de amamentação, cesarianas e menstruação. Situações que não deveriam ser um tabu, mas, infelizmente, são.

Muitas pessoas ainda se sentem ofendidas quando vêem mães amamentando seus filhos em público. Miley quis rebater isso incluindo a atriz Mela Murder amamentando seu bebê com uma coroa de espinhos no clipe.

Outra atenção especial que devemos dar ao vídeo de Mother’s Daughter são as ativistas da comunidade underground que também foram destacadas, transmitindo uma mensagem em escala global.

Mari Copeny, conhecida como Little Miss Flint, é uma ativista de 13 anos de idade que escreveu uma carta ao presidente Barack Obama aos 8 anos de idade e o convenceu a ir a cidade Flint, em Michigan, para ver mais de perto a crise de água da cidade. A jovem foi representada no clipe como uma super-heroína pelo seu ato.

“Poder manter o foco nas crianças de Flint e Flint sempre será o meu objetivo, Miley me deu sua plataforma para poder lembrar ao mundo que eu estou aqui e sou uma super-heroína da vida real”, disse Copeny sobre ser um dos destaques do clipe.

3. Defesa a comunidade LGBTQ+

Miley assumiu sua pansexualidade em 2015, porém, ainda em 2010, ela era uma das únicas jovens do Disney Channel que manifestou abertamente sobre o apoio aos direitos da comunidade LGBTQ+. A música “My Heart Beats for Love“, do álbum Can’t Be Tamed (2010), foi escrita e dedicada especialmente a um amigo gay da cantora.

Cyrus sempre foi uma defensora da comunidade e frequentemente fala sobre suas crenças sobre o assunto. Em 2014, fundou a fundação Happy Hippie que ajuda especificamente jovens LGBTQ+ sem teto.

Por conta de todo esse apoio e por estar incluída, é evidente que este tópico estaria presente em seu videoclipe, inclusive, a revista PRIDE elogiou-a por dar oportunidade e incluir pessoas da comunidade ao vídeo.

As pessoas apresentadas são:

  • O skatista de gênero neutro, Leo Baker que aparece segurando seu skate e vestindo uma blusa branca lisa estampada com os pronomes “Ele/Eles”;
  • O modelo transgênero Casil McArthur com seus mamilos de fora e batom borrado;
  • A mulher transgênero Aaron Philip aparece para representar ela e outras mulheres trans pretas que são as mais assassinadas nos Estados Unidos;
“Eu luto pela minha liberdade sendo eu mesmo”, Aaron Philip no meio da imagem.

4. O corpo positivo

Como podem perceber, nem todas as questões exploradas no clipe se referem exclusivamente às mulheres. No entanto, mesmo de acordo com a Obesity Action, organização sem fins lucrativos dedicada a dar voz às pessoas afetadas pela obesidade nos EUA, muitas mulheres tendem a lutar os níveis mais altos de “estigmatização de peso“, por isso, Miley rebateu novamente as críticas ao corpo mostrando a atriz Angelina Duplisea lindamente nua e relaxando.

5. A normalização dos mamilos femininos

Miley se posiciona contra a censura e a sexualização dos seios das mulheres tentando normalizar o mamilo e a amamentação. Em uma cena de Mother’s Daughter, é mostrado dois balões em forma de seios esfregando um no outro.

Vale lembrar que Cyrus apoiou o movimento Free the Nipple antes mesmo de se tornar global, em 2014. Em dezembro de 2013, Miley postou uma foto autocensurada de si mesma no Twitter, agradecendo a Nova York por “ser um dos poucos estados a libertar os mamilos femininos”, mas a batalha ainda está sendo travada e não apenas na América, mas em todo o mundo.

Free the Nipple não é diretamente mencionado no videoclipe, mas a mensagem é alta e clara. Muitas vezes, celebridades se envolvem com um movimento ou uma mensagem e não prestam homenagem àqueles que estiveram na linha de frente dos movimentos, mas Miley fez questão de dar visibilidade à isso.

Em algumas cenas, a dançarina e atriz Paige Fralix aparece de topless com a frase “Eu sou livre” escorrendo em seus seios com apenas os mamilos cobertos e a ativista Trydryn Scott também aparece com seus mamilos “censurados” tentando trazer mudança social.

Paige Flarix à esquerda e Trydryn Scott à direita

6. Um tributo para mães

E é claro que não podemos deixar de citar que Mother’s Daughter não é apenas uma homenagem à todas as mulheres, de diferentes origens e estilos de vida, mas também à mães, principalmente, a mãe de Miley, Tish Cyrus, que é a real inspiração de todo o conceito da música e videoclipe.

Na canção, Cyrus mostra que sua atitude, personalidade e poder é uma herança de sua mãe. Tish aparece glamurosa ao lado da filha usando um vestido azul, botas pretas e acessórios Chanel.

7. A mensagem através das roupas

Miley usa uma roupa vermelha em látex que possivelmente homenageia a cantora Britney Spears, seu ídolo. No entanto, na sua versão, a roupa possui uma joia em forma de “vagina dentada” na virilha, unhas de gato e pulseiras prateadas.

Lenda urbana que existe ao redor do mundo, que nasceu de uma herança cultural de conhecimento sexual masculino. Cyrus manda uma mensagem ao presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo “agarre as mulheres pela suas vaginas”.

No final, Miley aparece usando uma armadura dourada, homenageando Joana D’Arc, mulher guerreira que ajudou os franceses a combater os ingleses vestida como um homem, uma vez que mulheres não podiam ir para a guerra.

Joana acabou sendo morta por acusações de bruxaria e heresia, também conhecida como crenças contrárias a doutrina cristã. Ao se vestir como ela, a cantora está chamando atenção sobre todas as mulheres que lutam e estão dispostas a morrer por suas causas.

Toda a mensagem de Mother’s Daughter, tanto na música quanto o videoclipe, Miley Cyrus quis mostrar que ela é o que é graças a sua mãe, por ter aprendido grandes lições com ela.

Seja quem você realmente é e quer ser, a sociedade criticará de qualquer maneira. Não importa os limites que homens e o governo impõe ou tentem colocar em mulheres, o corpo é seu, então lute!

*Matéria é originalmente do fã-clube “Hannah Montana Out Of Context” publicado em forma de thread no Twitter.

Tradução e Adaptação: Miley Cyrus Brasil


Publicada por: Lívia Bastos
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