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NME Reviews: “MC&HDP” é o álbum mais estranho feito por uma estrela pop, mas é algo essencial de se ouvir

By setembro 1, 2015 One Comment

As únicas leis às quais me submeto são as que estou fazendo para mim mesma“, Miley Cyrus canta em “Slab Of Butter (Scorpion)“, uma mistura de sexo com elementos psicodélicos na metade do seu extenso quinto álbum de 92 minutos. Enquanto a cantora de 22 anos não declarou suas normas em seu próprio Estado soberano (ainda), em termos de indústria musical é difícil negar que ela está escrevendo seu próprio livro de regras. Quando ela terminou a apresentação do VMAs na MTV Domingo, Cyrus anunciou que ela tinha acabado de lançar de surpresa um novo álbum – que foi feito por $50,000 e separado do seu contrato com a RCA – de graça. É um luxo essa ex-estrela da Disney que domina as paradas saber que pode se dispor disso. “Você sabe, eu fiz o meu dinheiro. Se ninguém comprar o meu álbum, legal“, disse ela à W Magazine no ano passado.

Mas o que é verdadeiramente audacioso sobre “Miley Cyrus & Her Dead Petz” é a música em si. Apesar de o álbum de 2013 com influência hip-hop, Bangerz, ter rompido com seu antigo som amigável de adolescente, ele foi projetado com as paradas musicais em mente. Com a produção executiva de Cyrus, este registro maluco não faz qualquer questão para as rádios: é um salto psicodélico abastecido por maconha para dentro de um buraco de coelho inspirado no vínculo criativo entre Cyrus e Wayne Coyne dos Flaming Lips. Cyrus cantou em duas faixas do álbum cover que os Lips fizeram dos Beatles em 2014, “With A Little Help From My Fwends“, e a banda da cidade de Oklahoma retribuiu o favor, se dedicando à co-produção de 14 das 23 faixas presentes. “Eu estou 100% apaixonada por Wayne, e Wayne está apaixonado por mim, mas não é de forma sexual. Essa seria a mais grosseira“, Cyrus explicou pouco antes de o Dead Petz ser lançado.

O resultado é tão arrepiantemente sem-filtro como a própria Cyrus, que recentemente se declarou pansexual e não pôde resistir proclamando que ela queria transar com Joan Jett, enquanto introduzia a lendária cantora no Rock and Roll Hall of Fame. Cyrus justifica o título do álbum com “Floyd Song (Sunrise)“, uma homenagem sonolenta ao seu falecido cão, e “Pablow The Blowfish“, uma balada manchada por lágrimas sobre um morador falecido do seu aquário. Ela canaliza pêssegos numa faixa sobre sexo lésbico chamada “Bang Me Box“, recruta Ariel Pink para fazer segunda voz em uma balada de conteúdo desconhecido chamada “Tiger Dreams“, e vai como um filme de terror de Lana Del Rey num pop muito rico chamado “Cyrus Skies“. Grace Jones, David Bowie e “queen emoji” são mencionados. “Milky Milky Milk” é uma música excêntrica, de deixar boquiaberto, sobre chupar os peitos, que merece destaque o par de versos “Your lips get me so wet / While I’m singing all the verses from the Tibetan Book of the Dead“. “BB Talk” é uma música de hip-hop que faz cair mais ainda o queixo sobre um ex-namorado que tem como refrão: “Fuck me, so you stop baby talking“. Claro, este álbum é longo, indulgente e ocasionalmente cria situações embaraçosas. “Fuckin’ Fucked Up” é precisamente descartável como o próprio título sugere – mas além de um par de baladas existenciais para o final, Cyrus mantém agarrado com ela um psicodélico-pop anti-Bangerz celebrando paz, amor, sexo, drogas e masturbação.

Embora os intervalos de produção de trippy para scuzzy e algumas faixas podem soar como Miley Cyrus escoltada pelos Flaming Lips, isso não soa como uma tentativa artificial de credibilidade – afinal há momentos que lembram o trabalho anterior de Cyrus. “1 Sun” mostra suas raízes ecológicas como “Wake Up America” de 2008; “I Get So Scared” relembra “Adore You” (destaque de Bangerz) – o álbum soa como um avanço maravilhosamente inesperado. “Miley Cyrus & Her Dead Petz” é certamente o álbum mais estranho feito por uma grande estrela pop nos últimos tempos, mas mais impressionante, é também algo essencial de se ouvir.

Data de Lançamento: 30 de Agosto de 2015
Produtores: Miley Cyrus, The Flaming Lips, Mike Will Made It, Oren Yoel
Gravadora: Smiley Miley Inc/ Lovely Sorts of Death
Nota: 8/10

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